2 de out de 2010

Que estejamos errados!



Hélio Bicudo é um dos mais respeitados juristas brasileiros. Um dos fundadores do PT, desfiliou-se em 2005.

Prezado visitante, seria muito bom que assistíssemos ao vídeo acima antes de conversarmos brevemente sobre o desfecho da corrida eleitoral que se aproxima. Sinto-me à vontade para tratar do assunto uma vez que sempre fui eleitor de Lula: contra Collor, em 1989, contra FHC, em 1994, e, novamente, contra FHC, em 1998.

E, confesso, em 2002 tive sérias dúvidas acerca de qual candidato – Lula ou Serra – corresponderia melhor às necessidades do país. Vacilei em favor de Lula e o arrependimento foi imenso. Não que o neoliberalismo de FHC e Serra representassem o modelo político-econômico dos meus sonhos, não mesmo. Para mim, um jovem estudante universitário envolvido por duas vezes com o movimento estudantil - na UERJ (Matemática) e na UFRJ (Direito) –, leitor apaixonado de Os Carbonários, de Alfredo Sirkis e, mais tarde, um petroleiro engajado no movimento sindical e filiado à Convergência Socialista, um dos braços mais radicais do PT, o neoliberalismo realmente não me satisfazia. Hoje, um pouco mais vivido, travo batalha sangrenta contra corruptos ligados ao PT, mas que não nos interessam no momento.

Ao contrário, embora relativamente satisfeito com as conquistas econômicas dos oito anos do governo de FHC, meu voto em Lula no ano de 2002 foi acreditando que, diante da estabilidade econômica e institucional que vivíamos, o país já estaria suficientemente preparado para mudanças sociais mais radicais, prometidas por Lula e pelo PT havia décadas. Daí minha infeliz opção nas urnas. Acreditei, erroneamente, que Lula tornaria possíveis alterações estruturais na distribuição de riqueza, cultura e renda para uma parcela mais ampla dos brasileiros. Os meus temores, desapontamentos e decepções vividos durante minha experiência no movimento estudantil, sindical e partidário tornaram-se realidade: os seres mais abjetos e corruptos que conheci durante os anos anteriores chegaram ao poder e transformaram nossos sonhos democráticos numa grande farsa de manipulação popular para enriquecimento ilícito de oportunistas.

Nos oito anos de governo Lula, o que verifiquei, inclusive na própria pele, foi que o governo transformou-se no maior pesadelo fascista já vivido na história recente do Brasil. O populismo infantil, a manipulação das massas ignorantes e empobrecidas, mediante o fornecimento de bolsas diversas, a utilização dos órgãos públicos como escritórios de negócios particulares, a invasão de cargos técnicos por néscios politicamente indicados, a corrupção espalhada em todos os níveis do governo, o desrespeito aos mais comezinhos princípios democráticos previstos na Constituição, o descaso para com as decisões dos poderes legislativo e judiciário, o fomento às invasões e destruições de propriedades agrícolas produtivas, as sistemáticas tentativas camufladas de censura aos meios de comunicação e muitas outras razões levaram-me a abandonar, definitivamente, qualquer tentativa de diálogo com quem quer que tente defender o governo do mensalão, da instabilidade jurídica, da mentira e da truculência.

Causa-me espécie que pessoas de minha estima, algumas delas consideradas amigas, manifestem seu voto em Dilma, uma terrorista extremamente ignorante, oportunista e despreparada. Não quero crer em fisiologismo, demagogia, oportunismo ou mero partidarismo de suas partes. Algumas, pelo muito ou pelo pouco que conheço, são pessoas distintas, honestas, cultas e bem informadas. Como podem votar em pessoa e partido associados a Collor, Sarney, Jader Barbalho, José Dirceu e tantos outros tumores políticos que tanto estrago vêm causando ao já tão debilitado organismo brasileiro?

Acontecendo o pior, só espero estar errado. Espero que todos os inúmeros casos de corrupção e incompetência anunciados pelos meios de comunicação sejam intrigas da oposição. Espero que as esmolas fornecidas pelo governo à população mais carente possam cessar, que as escolas e os professores recebam enfim a atenção que merecem, que as instituições democráticas possam sobreviver a mais quatro anos de desmandos, imperícia técnica, corrupção e populismo ignóbil.

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